Filme questiona a fé cega

Filme indiano dirigido por Malhotra P. Siddharth, “O Rei do Povo”, disponível na plataforma Netflix, é baseado em caso real, ocorrido em 1862, quando o então Marajá moveu um processo judicial de difamação contra um jornalista que publicou artigo em que apontava como utilizava sua liderança religiosa para ter o privilégio de manter relações sexuais com mulheres virgens antes dos maridos.

O ponto alto da narrativa é a oposição entre estilos diversos de liderança e, acima de tudo, entre a fé cega e a filosofia. Se esta última busca o questionamento, com perguntas sobre o sentido de tudo; a primeira leva apenas a uma adoração fundamentada somente na obediência a princípios muitas vezes derivados de uma tradição deturpada.

Utilizar sabedorias ancestrais com adaptações próprias para obter benefícios financeiros ou por mera luxúria são prática infelizmente muito comum em diversas manifestações que não são religiosas, no sentido de uma conexão com o sagrado, mas apenas atendem a interesses individuais.

O maior mérito do filme está justamente em discutir essas questões dentro de uma perspectiva que mostra como aquele que se julga um ser sagrado não passa de um anjo caído, ou seja, alguém que se apropria de sabedoria apenas para a exploração da devoção alheia, sem compromisso éticos ou morais, buscando a alimentação do próprio ego.

Oscar D’Ambrosio     (@oscardambrosioinsta)
Pós-doutor e doutor em Educação, Arte e História da Cultura, mestre em Artes Visuais, jornalista, graduado em Letras, crítico de arte e curador.