Vividas, de Jardélio Santos Alves

A exposição “Vividas – Narrativas Negras em Trânsito”, de Jardélio Santos Alves, no Centro Cultural da Juventude (CCJ), na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo, SP, trata de humanidades. O ponto de partida é a paisagem urbana da zona norte paulistana, mas há ali um mergulho no universo das cores que ultrapassa uma visão do cotidiano.

A discussão proposta ultrapassa a vida das pessoas representadas ou o território que elas ocupam. É possível encontrar nos trabalhos uma pesquisa permanente da luz com enquadramentos diferenciados, que geralmente buscam a dimensão das aproximações para extrair delas o máximo possível.

Não se trata de conceber a exposição somente em uma dimensão antropológico ou social. Essas camadas se fazem presentes, mas são superadas pela maneira como o pintar se realiza, como é possível observar no autorretrato utilizado no convite, no qual a luz se esparrama pelo corpo, penetrando nas esferas do pensar a criação como uma expressão do fazer e do sentir.

O céu, o urbano e os personagens, presente no conjunto de pinturas, traz uma reflexão sobre as múltiplas possibilidades da vida. Ser artista é uma escolha que traz implicações de temas e estilos a serem selecionados em uma gama ampla de alternativas. Jardélio Santos Alves opta pelo caminho do cromatismo, da composição e, acima de tudo, da sensibilidade.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.