Viver a arte

Wolnei Macena bebe e come arte continuamente. A sua prática é intensa e o leva a instaurar uma poética que passa pela dança e pela performance. O gesto do seu corpo se faz presente nas visualidades que instaura. A sua prática, portanto, é a de um multiartista, o que significa ampla capacidade de transitar entre linguagens.

Seus trabalhos mais significativos são aqueles em que manifesta um sentimento de estar no mundo, estabelecendo conexões entre a humanidade, a natureza e os animais. Nesses momentos, manifesta as suas experiências de vida, seja pelo uso de suportes como lonas usadas de caminhão ou pela reciclagem dos mais diversos materiais.

Cada trabalho é uma carta que escreve para si mesmo e para o mundo. Trata-se de um íntegro ato de entrega que o mantém eternamente jovem dentro de um itinerário pessoal em que a ficção e a realidade se misturam, pois são uma coisa só enquanto maneiras plenas de (re)descobrir o mundo de forma criativa.

A criação se dá, portanto, nas formas como maneja, por exemplo, aquilo que a sociedade descarta, construindo narrativas em que seu vasto universo lírico ganha ritmos e musicalidades. Surgem assim peculiares imagens em que suas ideias e pensamentos, plenos do lirismo do cotidiano, se transformam em singularidades plásticas.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.