Dirigido por Clint Bentley e protagonizado por John Edgerton, ”Sonhos de Trem”, disponível na plataforma Netflix, é a adaptação do romance homônimo de Denis Johnson, que foi finalista do Prêmio Pulitzer de ficção em 2012. Com belas paisagens, constitui um penar permanente sobre as relações de cada um de nós com o cotidiano.
A narrativa tem como eixo a vida do lenhador Robert Grainier, que trabalha na derrubada de árvores para a construção de pontes que expandem os caminhos ferroviários em diversos pontos dos EUA. Nessa jornada, ele encontra alguns personagens marcantes, principalmente o interpretado pelo carismático William H. Macy, mas eles vão e vem sem lógica no ritmo dos ciclos do nascer e morrer de cada dia desempenhado no emprego sazonal até o retorno para casa.
Existe a discussão ambiental, assim como uma leitura crítica da passagem do tempo no corpo e na mente do protagonista. O ponto mais significativo do filme está nas relações que o lenhador estabelece com a própria existência, principalmente aos perder a esposa, em uma marcante interpretação de Felicity Jones, e filha em um incêndio.
Não se trata de uma obra de granes acontecimentos, mas de uma reflexão permanente sobre os sentidos da existência. Ao final, em um passeio de avião, o lenhador parece se integrar, pela tecnologia, que mal utilizou na sua vida, ao mundo. O personagem parte, aliás, sem família, amigos ou legado. Simplesmente existiu, o que pode ser muito ou pouco dependendo da visão de cada um.
Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.













