Por Fredi Jon
Morreu neste sábado, 6 de setembro de 2025, aos 81 anos, Rick Davies, cofundador e líder do Supertramp. Vítima de mieloma múltiplo, o músico deixa um legado que atravessa gerações, marcado pelo timbre grave, pelo piano elétrico Wurlitzer e pela busca incansável de manter viva a identidade de uma das bandas mais sofisticadas do rock mundial.
Davies fundou o Supertramp em 1969, ao lado de Roger Hodgson, e juntos construíram uma parceria que produziu sucessos eternos como The Logical Song, Dreamer, Goodbye Stranger e Breakfast in America. Se Hodgson representava a aura espiritual e melódica, Davies era o contrapeso: o blues, a densidade, a voz rouca que dava chão às harmonias celestes. Essa dualidade transformou o grupo em um fenômeno global, coroado pelo álbum Breakfast in America (1979), que ultrapassou 20 milhões de cópias vendidas.

O Supertramp começou a ruir em 1983, quando Hodgson deixou a banda para seguir carreira solo. Davies assumiu o comando e ainda lançou discos consistentes, como Brother Where You Bound (1985), além de manter a máquina nas estradas até 1988. Nos anos 1990, tentou reerguer o grupo com novas formações, mas nunca com o mesmo brilho. A última grande aparição foi a turnê comemorativa 70-10 Tour, em 2010, encerrada em Paris com Davies já fragilizado pela saúde.
Além do talento, Rick carregava um traço controverso: o controle rigoroso sobre o legado do Supertramp. Disputas autorais com Hodgson tornaram-se públicas, especialmente pelo uso de músicas compostas pelo parceiro em turnês posteriores. O resultado foi um bloqueio sistemático de materiais da banda em plataformas digitais e redes sociais — uma tentativa de proteger direitos, mas que acabou limitando o acesso dos fãs à própria história do grupo.

Rick Davies não foi apenas o cofundador de uma das maiores bandas da era de ouro do rock; foi também o guardião de sua essência, ainda que por vezes rígido demais. Com sua morte, encerra-se definitivamente a possibilidade de um reencontro do Supertramp. Resta agora a música, que sobrevive às disputas e às perdas, e continua a ecoar como um convite à nostalgia, à reflexão e à beleza atemporal.













