O crítico literário Alfredo Bosi dizia que a arte, a partir do século XX, busca alcançar dois extremos: “o máximo de verdade interior e o máximo de pesquisa formal”. O trabalho de Giovana Hemb caminha nessa direção quando realiza constantes experimentações com os materiais de modo a oferecer as suas respostas criativas.
É por meio da prática, que nunca é uma repetição, mas um passo adicional, que existe um aperfeiçoamento dos resultados. Elementos do cotidiano, como gaze hidrófila, papel ou arame, são utilizados de maneira a gerar deslocamentos de seu uso original em direção a uma ritualização que não é mística, mas estética.
Isso significa evitar automatismos na procura de processos em que o aparentemente imperfeito é que seja perfeito ou vice-versa. Existe uma relativização de conceitos que estimula um fazer que pode ampliar interpretações em um processo de apresentação de sínteses visuais que demandam um lúdico e contínuo jogo de escolhas.
A pesquisa de materiais, seja no sentido do que será utilizado, como e sobre qual suporte conduz a um processo de apresentação de imagens que abre mão da representação figurativa rumo a uma liberdade abstrata que se fundamenta no processo de montagem que desperta múltiplos parâmetros de visualidade de interpretação.

Esta obra integra conjunto de trabalhos que recebeu Menção Honrosa no 28º Salão de Artes Plásticas de Mogi Mirim.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador













