Frade italiano radicado no Brasil (Bozzano, Itália, 1898 – Recife, 1997), Pio Giannotti, conhecido como Frei Damião, está com seu processo de beatificação em andamento. Tendo já recebido os títulos de servo de Deus e venerável, este último pelo Papa Francisco, em 2019, o frade capuchinho percorreu parte do Nordeste, principalmente Pernambuco, em missões evangelizadores, tendo, segundo alguns, praticado milagres.
Nessas andanças, foi até a casa, em Caruaru, PE, do hoje fotógrafo Antonio Preggo, primeiro à esquerda da foto, que se mudou há pouco mais de um ano para o bairro do Alto do Mora, naquela cidade, mas o sofá permaneceu com ele, assim como a foto que imortaliza o encontro da família (pai, mãe e irmãos) com o talvez futuro santo).
O sofá está em sua sala de estar e os visitantes se sentam nele muitos sem saber da história do móvel, que serviu de assento para um senhor já envelhecido, mas objeto de veneração e de diversas festas, além de romarias, pincipalmente as de peregrinos que vão até a estátua erguida, em 2008, em sua homenagem, em Guarabira. PE, onde foi inaugurado, em 2004, o Memorial Frei Damião.
Sentar na cadeira dele não me causou nenhuma sensação especial. Falta de sensibilidade? Excesso de ceticismo? Provavelmente nem uma coisa nem outra. Afinal, sou uma pessoa comum, como todas, e sofá vermelho, um objeto utilitário, como os outros.
Se há um sagrado, talvez esteja em outras relações, pois o sofá, em última análise, não é dele, mas de todos nós. O divino, portanto, se pode ser identificado, provavelmente está além das poses em fotos e posses de móveis.
Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.













