O meteoro de 1860, 1860 Frederic Edwin Church Acervo do Metropolitan Museum of Art
Frederic Edwin Church, artista da conceituada Escola do Rio Hudson, apresenta, com esmerada técnica, o fenômeno celestial da passagem de um meteoro, acima de uma tranquila paisagem rural, com a sua cauda flamejante iluminando a escuridão. O brilho dele contrasta assim com o denso azul profundo da noite, criando uma sensação de mistério.
Viajante no espaço, o meteoro pode ser interpretado como uma metáfora para mudança, já que a obra foi criada durante o período tumultuado da Guerra Civil Americana, momento histórico em que buscava alguma forma de esperança e de renovação perante o caos político e social.
Projeto O meteoro do amor
O relato acima está inserido no contexto de um projeto desenvolvido em Tuiuti, SP.
Contam que um buraco em forma de coração que está na Agrofloresta Monalisa, de Sandra Scavassa, naquela cidade, surgiu a partir de fragmentos de um meteoro que ali teria caído. Seja uma lenda, um mito ou uma fábula, o fato é que ali está um espaço a ser lido e interpretado por cientistas, religiosos, filósofos e artistas.
Este projeto é um chamamento para que o local ganhe o status de instalação coletiva. Cada pessoa pode encaminhar até três trabalhos, de materiais que suportem a intempérie ou interajam com ele. As obras com uma altura mínima de 1 metro, preferencialmente verticais, são colocadas sobre a superfície de terra com o mecanismo de sustentação pensado por cada artista.
A poética do projeto está em pensar que a luz dos meteoros, quando vista no céu, é o resultado da entrada de fragmentos de rocha, oriundos de corpos celestes, na atmosfera terrestre. Surge, portanto, uma luz no céu noturno a indicar, para alguns, que há uma luz no fim do túnel, sejam quais forem os desafios enfrentados.
Ver um meteoro, nesse contexto, é como amar. Sempre pode ser interpretado, dependendo da cultura e da situação, como um sinal de mudanças. O mesmo ocorre com a arte.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.
Iniciativa de Sandra Scavassa













