O genial artista Morgilli

 

Pesquisas revelam que os mais antigos registros de pinturas em cavernas (arte rupestre) estão em Altamira, na Espanha e datam de 30.000 a.C. a 12.000 a.C. e,  em Lascaux, na França,  de 15.000 a.C. a 10.000 a.C.. A história registra que os maiores pintores do mundo, dentre eles,  Leonardo da Vinci, Michelangelo, Oscar-Claude Monet, Pablo Picasso, Van Gogh, Salvador Dali, e, mesmo o brasileiro Candido Portinari, ou morreram pobres ou não tiveram em vida a oportunidade de verem sua arte reconhecida.

A arte da pintura  em Catanduva deve muito a dois ícones – o primeiro deles,  Oscar Valzzachi, que,  além de ter deixado um legado invejável, conseguiu  transmitir sua arte para os que o sucederam; o outro notável é   o professor Luiz Dotto, que, através do SESC lapidou o talento de centenas de crianças e adolescentes,  fazendo-os verdadeiros artistas do pincel. Não há duvida que a pintura em nossa cidade não seria a mesma sem esses dois abnegados e célebres mestres que dedicaram a vida a ela. E, foi pelas mãos do professor Luiz Dotto, que,  em 1968, o maior artista plástico contemporâneo da cidade, Luiz Cláudio Morgile, ou simplesmente Morgilli,  como costuma assinar, deu os primeiros passos rumo ao sonho que acalentava desde pequeno. Oito anos mais tarde, em 1976,  teve ainda o privilégio de aprimorar a sua técnica com os ensinamentos do Oscar Valzzachi. Era o que faltava para ser tornar um opífice da pintura.

Com telas premiadas, como o “Menino de boina”(hoje pertencente ao acervo da J.Marino), no São Paulista em 1984 e medalha de bronze na exposição de São José do Rio Preto,  no ano de 1985, além de tantas outras láureas, Morgilli não se vangloria disso, ao contrário, sempre tranquilo mantém a humildade própria, dos grandes. Nasceu em Catanduva, na Rua São Paulo, nos fundos do prédio do conhecido Empório São Pedro, que era do seu pai, mas ganhou o mundo com seus quadros que chegaram a ser expostos na  galeria de artes “André”, em São Paulo(considerada a maior  do Brasil),  e se acham espalhados pela Itália, Portugal, Estados Unidos, Argentina e outros países. A arte lhe permitiu conhecer Florença, onde fez três meses de curso na Escola de Arte “Lorenzo D´ Medici. Visitou também Roma e Veneza e realizou um sonho de infância, que era conhecer Paris. Nesses 35 anos de artista plástico,  calcula ter pintado mais de  1.200 telas a óleo, sem contar outros inúmeros trabalhos de ilustração gráfica, sendo o mais recente encomendado pelo SESC, em formato de cartão postal, retratando em “bico de pena” vários pontos da cidade,  que,  é uma verdadeira “pintura”. Salvador Dali, um dia afirmou: –  “Não se preocupe com a perfeição,  você nunca irá consegui-la”–.

Embora impossível como bem definiu Dali, o fato é que o pintor faz do pincel a sua principal ferramenta de trabalho, extraindo da tinta os contornos e o traços que  delineiam as figuras que antes foram tatuadas na alma e, por mais que ele busque a perfeição, é sabido que a imagem projetada na alma é quase impossível de ser reproduzida na tela.

Mas,  nem por isso o Morgilli deixa de buscar transpor para a  tela o que está envernizado na alma, ainda que sabendo ser quase impossível e, aí reside a essência e o segredo da sua arte. Diferentemente dos grandes artistas do passado  que,  só se tornaram célebres somente após morrer, o Morgilli tem o privilégio de ver o  seu trabalho reconhecido, ainda que muito aquém da altura e da importância da sua obra – antes pouco do que nada!  Há quem diga que todo o artista não busca a fama, mas sim o reconhecimento. Se assim é,    não há duvida que o Morgilli, reconhecidamente é uma  das  maiores expressões artísticas da cidade, cuja sensibilidade e talento, desafiando Dali,  o faz muito próximo de conseguir transpor para a tela o que está escrito na alma.

(resumo da homenagem profissional prestada pelo Rotary Club de Catanduva – Norte, na última teça feira, dia 28)

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