O centro visto do alto (de outro ponto)

 

Para os que não me conhece ainda, gostaria de me apresentar: Sou o urubservador e há algum tempo, diferentemente do meu bando, escolhi como meu ideário de vida contemplar a cidade do alto. Nesses últimos dias, além do meu tradicional poleiro no alto do Edifício Drogasil, tenho pousado também  no teto do Edifício Giselda, na Rua Pará esquina com a Rua Minas Gerais. Na verdade, ver a cidade de outro local foi sugestão da minha namorada Urubina, que me convenceu a vislumbrar novas caras, novas lojas,  o movimento das pessoas no entorno da Praça Monsenhor Albino e até mesmo os frequentadores da Igreja Matriz, que são poucos. Nessas manhãs frias,  não são muitos os que se aventuram a sair de casa, mas com o aquecer do sol, as calçadas começam a ficar movimentadas de pessoas e as ruas de veículos. Esse movimento não é refletido no interior das lojas, onde as vendedoras conversam entre si a espera de clientes cada vez mais minguados.

Vendas aquecidas mesmo,  somente nas duas lanchonetes que vendem salgados a R$1,00 – uma na Rua Brasil esquina com a Recife e outra no “Ipanema Bar” do Paulinho,   na Rua Cuiabá, logo após a Rua Brasil –. Nessas duas casas não faltam clientes e o atendimento é rápido, o que não impede a formação de  filas, ora maiores, ora mais curtas, principalmente próximo à hora do almoço. Como se vê, em tempos de crise, a combinação   comida barata +  boa qualidade é garantia de sucesso. Minha namorada Urubina, que não é boba nem nada, me disse que,  se pudesse toparia saborear uns salgados, mesmo que fossem as sobras. Daqui onde estou consigo ver que poucos frequentam a igreja no período da manhã, a maioria pessoas da terceira idade que buscam uma proximidade maior com Deus. Os jovens seguramente não encontram tempo para conversar com o divino porque o whatsapp, instagram e outros aplicativos tidos como “rede social” os fazem ignorar a bíblia, o evangelho,  o rosário, a missa e o culto que, para eles só existem em casamentos e em alguns outros eventos especiais de celebração. Enquanto a tecnologia – leia-se celular – cada vez mais contribui para  afastar o ser humano de Deus, mais aumentam os índices de crimes, assaltos e furtos, neles incluindo assassinatos covardes de jovens que perdem a vida mesmo não resistindo em entregar o celular ao bandido. Nesses episódios que se repetem em quase  todos os dias, principalmente nas grandes cidades,  vê-se que,  para esses bandidos,  a vida humana vale menos do que um simples celular.

Mas, mudando de assunto, hoje é domingo e enquanto você com a televisão ligada está lendo essas minhas urubservações, lembre-se que para mim é um dia monótono e triste, pois falta o pulsar do movimento das lojas e dos bares e o vai e vem de pessoas nas calçadas e carros nas ruas. O que salva o domingo  é o caminhar  das pessoas antes do início e ao término da missa das nove horas na Igreja Matriz e, a partir das onze e meia o movimento do Restaurante Paulinho´s, que,  daqui posso sentir o cheiro gostoso de comida e ver o cardápio anunciando que hoje, além de feijoada,  tem leitoa assada. Hummmmm, nessa hora sinto inveja de quem pode desfrutar dessas delícias! Tomara a segunda feira  não tarde a chegar, pois o que para muitos é um martírio iniciar a semana, para mim, do alto dos meus postos de observação é um deleite. Ups, Urubina está me convidando para um voo panorâmico e,  convite da namorada não se recusa não é mesmo?  É sempre bom lembrar do  velho ditado  – manda quem pode, obedece quem tem juízo –. Fui!!! Até o próximo episódio, quem sabe contando novidades de outro ponto do centro da cidade. Ass. Urubservador.”

 

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