Por Fredi Jon
Em tempos de Copa do Mundo, o Brasil inteiro reaprende um ritual antigo: vestir a camisa, prender a respiração, gritar por um gol como se, por noventa minutos, a esperança pudesse voltar a ser simples. E talvez seja justamente aí que mora a contradição mais dolorosa deste país: a gente torce pelo Brasil com uma paixão que quase nunca consegue transformar em coragem para exigir o Brasil que merece.
Não basta torcer para a seleção. É preciso torcer para que o país se encontre. Para que a Justiça deixe de ser uma promessa abstrata e se torne uma força real, capaz de punir criminosos de colarinho branco, corruptos de gabinete, saqueadores do dinheiro público e também qualquer autoridade, juiz ou agente do poder que tenha traído a própria função. Um país sério não pode conviver com a sensação de que a lei é dura para o pequeno e generosa para o poderoso.

Também é preciso torcer para que o Brasil pare de tratar a política como torcida organizada. O país não pode continuar refém de gente que trocou consciência por fanatismo, que defende político de estimação como quem defende time, mesmo quando ele mente, rouba, manipula ou afunda o futuro coletivo em nome do próprio projeto de poder. O Brasil ficou pequeno demais dentro dessa lógica miserável da polarização, onde o debate morreu e sobrou apenas o ódio, o slogan e a cegueira conveniente.
É duro dizer, mas boa parte da nossa tragédia nacional está na mediocridade que fomos aceitando como paisagem. Mediocridade de líderes sem grandeza. Mediocridade de uma população que muitas vezes se contenta com migalhas, com frases de efeito, com promessas recicladas, com a falsa sensação de vitória enquanto o país afunda em educação precária, violência, impunidade e atraso moral. Há tempos, inclusive nos anos do PT, mas não só neles, o Brasil vem sendo sequestrado por projetos de poder que pensam primeiro em perpetuação, depois em narrativa, e por último, se sobrar tempo, no povo.
Por isso, nesta Copa, que o nosso grito não seja só de gol. Que seja um grito contra a pequenez, contra a corrupção, contra a idolatria política, contra a covardia cívica. Que a gente volte a sonhar grande. Porque o Brasil não precisa apenas vencer partidas. Precisa vencer a si mesmo, abandonar a mediocridade e finalmente se tornar a nação que vive prometendo ser, mas que há tempo demais se acostumou a adiar.












