Naná Vasconcelos é o homenageado da “Ocupação Itaú Cultural”

Mestre da cultura brasileira e da música mundial, Naná Vasconcelos é o homenageado do projeto Ocupação Itaú Cultural, em cartaz de 17 de julho a 27 de outubro, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, SP. Fotografias, documentos, entrevistas, objetos e instrumentos, como o inseparável berimbau, convidam a um caminhar pela obra do percussionista.

Atuou ao lado de artistas como B. B. King, Jean-Luc Ponty, David Byrne, Egberto Gismonti, Pat Metheny e Björk, Ele ganhou, por oito anos consecutivos (1983-1990), o prêmio de Melhor Percussionista do Ano da conceituada revista Down Beat, considerada a “bíblia do jazz” e, nos seus últimos 15 anos de vida, abriu o Carnaval do Recife, acompanhado pelo cortejo de nações de maracatu.[

Nesta imagem, intitulada “Artista di Strada, Michele Angelillo apresenta a sua visão de um berimbau, instrumento de corda com origem em Angola e tradicional da Bahia, sendo utilizado para acompanhar a capoeira.

Constituído por uma vara em arco, de madeira ou verga, com um fio de aço preso nas extremidades, com uma cabaça que funciona como caixa de ressonância, o berimbau demanda que o tocador utilize uma das mãos para sustentar o conjunto, valendo-se de uma pedra ou moeda para pressionar o fio, enquanto, com a outra, se vale de uma varinha para percutir a corda.

A imagem foca justamente essa mecânica do instrumentista, mas o tratamento visual da foto leva a outras interpretações, pois a forma arredondada da caixa de ressonância evoca o próprio mundo, como um local a ser tocado e cuidado. E logo surge a pergunta: estamos fazendo isso adequadamente como Naná Vasconcelos fez em sua trajetória musical e pessoal?

Oscar D’Ambrosio       @oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista
, graduado em Letras, crítico de arte e curador.