O universo do caminhar comporta diversas dimensões. Existe o literal, que é o de ter um trajeto a seguir, e o simbólico, que inclui uma dimensão existencial a ser percorrida, uma vereda que pode trazer surpresas a cada nova curva. Para a aquarelista Fátima Lourenço, a observação plástica do mundo era uma mescla dessas possibilidades.
A artista sempre apontava para um elemento essencial: o compromisso com a busca de soluções visuais cada vez mais aprofundadas, produto de uma intensa pesquisa que tinha como processo tomar imagens com referenciais variados e transformá-las pela integração entre dois elementos: o crítico e o estético.
O primeiro residia na forma como os olhos da artista, a partir do domínio da técnica com a qual trabalhava, depuravam aquilo que chamamos realidade. O segundo impressionava pelo rigor. Nesse sentido, as cores intensas transmitiam a atmosfera dos caminhos sutilmente enfocados.
Fátima Lourenço deixa um legado que revela, na construção de sua obra, o conhecimento profundo da difícil arte da aquarela, que exige extrema dedicação e elevada sensibilidade. Cada caminho que percorria foi uma interpretação de um assunto, uma forma diferenciada de lidar com o material e mais um passo em seu aprimoramento.
Veja entrevista da artista: https://www.youtube.com/watch?v=EkUq7JCgjRI
Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.













