A exposição “Felicia em Preto e Branco”, do fotógrafo Marcio Scavone (@marcioscavone), realiza uma jornada imagética pelo Museu Felicia Leirner, em Campos do Jordão, São Paulo, que consegue fundir as esculturas da artista com o ambiente em que elas estão inseridas.
O fato de remover as cores, trabalhando no universo das grisalhas, retira a temporalidade. O observador é convidado a mergulhar em um universo em que as obras de bronze ganham, por exemplo, braços por meio dos galhos; e os detalhes de algumas das peças se tornam protagonistas.
Surgem expressões visuais em que o metal e o orgânico das obras da polonesa naturalizada brasileira Felicia Leirner (1904 – 1996) passam a ser uma coisa só. Seres vivos, como um cão ou pessoas, dialogam com as obras de cimento branco que, por sua vez, apresentam formas orgânicas que interagem com o entorno.
As imagens de Scavone para este projeto incluem ainda fotografias impressas em tecido de pessoas da cidade colocadas sobre os troncos de árvores do Museu a céu aberto. As nuances de luz e sombra criam assim mistérios; e as formas das esculturas conversam com as diversas texturas dos materiais fotografados.
Bronze, cimento, tecido e madeira interagem visualmente sem padrões rígidos, em uma jornada pelas veredas do espaço expositivo do Museu, com regiões mais altas e baixas. As trilhas auxiliam assim, devido à habilidade do artista de criar atmosferas, a instaurar áreas que se relacionam a distintos estados emocionais
As silhuetas das esculturas são tratadas como peles que compõem uma paisagem que tem muitas histórias, pois o fotógrafo conheceu a artista, visita diariamente o espaço expositivo, que fica na cidade em que reside, em um processo criativo que torna as elegantes imagens das esculturas em imagens a dançar com o espaço que está ao redor.
Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.
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