Os desenhos de Nestor Lampros feitos junto ao leito de morte de seu pai logo evocam a célebre “Série Trágica”, de Flávio de Carvalho, constituída por nove desenhos, realizados em 1947 que representam a agonia e morte da mãe do artista e que estão na coleção do Museu de Arte Contemporânea da USP.
Lampros trata o tema com intensidade. É possível perceber o vigor de uma expressão de vida que se esvai. Suas imagens tratam dos últimos momentos de uma vida de maneira a estimular uma reflexão sobre a brevidade do tempo, sendo aparentemente difícil uma aceitação serena.
O conjunto motiva um pensar em direção à compreensão da condição humana. O leito de morte passa a ser visto como um espaço de forte carga emocional e espiritual. Cada segundo, nessa perspectiva, é vivenciado como um dos últimos perante o iminente fim de um ciclo.
O essencial no trabalho está em mostrar o fim da vida humana de forma crua, sem idealizações divinas ou sagradas, muito comuns no gênero. A arte, portanto, pode ser considerada, nesse aspecto, como um local adequado para processar a finitude, permitindo que cada observador confronte o medo do desconhecido à sua maneira.
Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.













