Alegre silêncio

As pinturas de Silvia Cozzolino abrem portais para uma observação atenta. Estimulam a pensar o que leva cada um a criar arte. Talvez seja o processo de buscar o que existe dentro de si mesmo que proporciona ofertar olhares renovados para aquilo que pode parecer, em um primeiro momento, sempre igual.

Esse conceito motiva a ter a curiosidade despertada perante o que está no entorno. Não há, portanto, certos ou errados, mas possibilidades de vislumbrar o mundo considerado real e de desenvolver trabalhos em que as cores, para a artista, têm um papel essencial para criar atmosferas de sutil encantamento.

O como o trabalho é feito torna-se mais importante do que aquilo que é objetivamente representado em um caminhar que auxilia a revelar e a esconder imagens e a aumentar mistérios em cartografias pictóricas que constituem mapas mentais a serem desvendados, pois cada imagem instaurada traz seus delicados enigmas.

A arte pode então ser considerada uma multiplicação de olhares para quem a cria e para quem a vê. Nesse sentido, o ato criativo de Silvia Cozzolino está no mergulhar nas potencialidades do fazer. O alegre silêncio de seu trabalho se manifesta assim em imagens que são o resultado de seu histórico vivencial e artístico individual e coletivo.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.