Dirigido por Guillermo del Toro, o filme “Frankenstein”, que estreou na plataforma Netflix, em 2025, é a realização de um projeto pessoal dele de adaptar a obra de Mary Shelley. Um ponto fascinante está no fato do Monstro criado pelo cientista Victor desejar acima de tudo, morrer.
Em uma sociedade como a atual, em que existe uma luta permanente para prolongar a vida e esconder a morte, a procura da Criatura por se libertar dos sofrimentos de sua existência soa paradoxal, sendo responsável por boa parte da carga dramática do filme.
Uma cena crucial ocorre quando a Criatura pede ao Criador que crie uma companheira para que possa dividir o fardo de viver para sempre. A solidão é apontada como o pior castigo de uma vida longa em que uma personagem que lhe dá afeto é Elizabeth, amada pelo Monstro, por Victor e pelo seu irmão.
Um outro ser humano que vê a Criatura como um ser que considera com alma e que chama de “amigo” é um senhor idoso cego, que faz essa declaração logo antes de morrer, atacado por lobos. A mortes dele, assim como de Victor e de Elizabeth apontam para um dilema da modernidade: vale apena viver para ficar só?
Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.













