Avanço das ondas de calor pressiona centros de distribuição e cadeias de produtos perecíveis, exigindo adaptação da infraestrutura para reduzir perdas, preservar estoques e controlar o consumo de energia
A intensificação das ondas de calor começa a transformar o isolamento térmico em uma questão de resiliência para o setor logístico. Centros de distribuição e armazéns precisam manter condições adequadas para produtos sensíveis às variações de temperatura, enquanto enfrentam custos maiores de climatização.
Os números ajudam a dimensionar o desafio. O Cemaden aponta que o Brasil registra historicamente entre 8 e 14 ondas de calor por ano e que a frequência desses eventos aumentou em todos os estados desde o início dos anos 2000. Na cadeia de alimentos, estudos estimam perdas de 30% a 35% de frutas e hortaliças entre a produção e o consumidor final. Com o El Niño, essa circunstância deve piorar.
“Para os grandes centros de distribuição, a questão envolve não apenas o conforto térmico, mas a preservação das mercadorias. Empresas de logística e varejo precisam lidar com estruturas cada vez maiores e estoques diversificados, que podem incluir alimentos, medicamentos e outros produtos termossensíveis. Grandes galpões e grandes estruturas já estão olhando o isolamento térmico como um fator de resiliência térmica”, afirma o empresário e CEO do Grupo 3TC, Ricardo Valentini, engenheiro especialista em soluções contra o calor.
Na indústria farmacêutica, por exemplo, o controle térmico acompanha todas as etapas da cadeia, da fabricação à entrega ao consumidor. A RDC 430 da Anvisa estabelece requisitos para armazenagem, distribuição e transporte de medicamentos, reforçando a necessidade de controle e monitoramento das condições de temperatura. “Toda a cadeia logística, a indústria tem que estar com a temperatura controlada, o centro de distribuição tem que estar com a temperatura controlada, o transporte tem que estar com a temperatura controlada e o ponto de distribuição também”, explica Ricardo.
Na cadeia alimentar, os efeitos podem ser ainda mais visíveis. Chocolates podem derreter, laticínios perder qualidade e frutas e hortaliças reduzir rapidamente seu período de comercialização quando submetidos a temperaturas inadequadas. “Quando a gente prepara esse ambiente, a gente aumenta esse tempo de prateleira das hortaliças”, completa o CEO do Grupo 3TC.
O isolamento térmico também pode reduzir a carga de calor sobre os ambientes e, consequentemente, a demanda dos sistemas de climatização. A medida ganha relevância em galpões de grandes dimensões, nos quais pequenas diferenças de temperatura podem representar impactos significativos no consumo de energia e na conservação dos estoques.
A mudança de cenário climático, portanto, coloca a infraestrutura térmica no centro das decisões logísticas. “Para empresas que trabalham com produtos perecíveis ou termossensíveis, preparar os ambientes para temperaturas extremas significa reduzir perdas, preservar mercadorias e aumentar a eficiência operacional. No final do dia isso reflete no bolso do consumidor final e no bolso do empresário”, finaliza Ricardo.














