Tomada de decisão

Levar para o cinema situações de crise é uma característica de Kathryn Bigelow, que já filmou “Guerra ao Terror” (“The Hurt Locker”, 2008), com o que foi a primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Direção, que trata de um esquadrão antibombas no Iraque, além de “A Hora Mais Escura” (“Zero Dark Thirty”, 2012), sobre a caçada de uma década a Osama bin Laden, e “Detroit em Rebelião” (“Detroit”, 2017), sobre os violentos distúrbios civis de 1967 em Detroit.

“Casa de Dinamite” (A House of Dynamite”), de 2025, disponível na plataforma Netflix, acompanha, em tempo real, os 18 minutos que se seguem à detecção de um ataque de um míssil nuclear não identificado disparado em direção aos Estados Unidos. A narrativa foca essa situação por três pontos diferentes.

Inicialmente, o público acompanha a reação de técnicos soldados eu monitoram os sistemas de defesa dos EUA em bunkers em locais como o Alasca; assim como de oficiais da alta inteligência em debates divergentes sobre quem praticou a ação, culpando Coreia do Norte, Rússia ou China de maneira intencional ou por acidente.

A última parte do filme foca diretamente o presidente dos EUA, responsável final pela tomada de decisão, retaliar ou não e contra quem ou aguardar os acontecimentos, a partir das diversas opiniões. Cabe a ele essa responsabilidade, que ele confessa que não gostaria de ter e cujo teor permanece em aberto, pois o filme não é sobre o que pode ocorrer, mas sobre os procedimentos e protocolos caso uma situação como essa venha a ser real..

Oscar D’Ambrosio
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista e crítico de arte.