Um desafio da arte é verificar a sensibilidade e capacidade técnica de um criador perante aquilo que ele se propõe a fazer. Visualizar a obra de Ramon Calderan proporciona essa percepção. Está ali um artista ciente de seu ofício, que trabalha o corpo humano não só como algo físico, mas como um elemento plástico e simbólico.
Seus trabalhos exploram o movimento de si mesmo na perspectiva de apresentar o resultado de um processo mental que ultrapassa a sensualidade ou a sexualidade das imagens. A anatomia é concebida não somente como uma capacidade visual, mas como um poético e misterioso universo com infinitas possibilidades de expressão.
As imagens buscam encontrar técnicas e poéticas que expressem a devoção ao corpo como uma materialidade a ser desvendada. O ato de construir as imagens gera um questionamento sobre a própria capacidade da arte de representar não só o corpo, mas qualquer imagem, emoção ou sentimento.
O corpo é o ponto de partida de uma jornada que tem como chegada a sensibilidade. Ele nos transporta para uma realidade onde a arte é soberana em sua capacidade de dar a cada instante do movimento um valor único, visceral e pleno da sinceridade que transforma o fazer em uma visão lírica do mundo.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.












