A arte de Valdenir do Bonfim permite uma reflexão sobre os sentidos s ser artista. Algo essencial no seu trabalho é ter uma preocupação estética que ultrapassa questões de ordem mágica ou religiosa. Isso lhe permite seguir o seu gosto individual, sem se prender a abordagens que podem agradar ou não a alguma determinada coletividade.
A ampla diversidade do mundo interior do artista vem à tona, ultrapassando a emoção, pois vem acompanhada de pesquisas técnicas e criatividade na forma de apresentação e de lidar com diversas técnicas, materiais e suportes. Como artista profissional que é, trabalha todo dia em busca de respostas para suas inquietações pessoais.
Dessa maneira, não se acomoda. Pratica intensa e seriamente, o que não significa abandonar a alegria, de modo a não se acomodar. Desenvolve assim um estilo pessoal, que não imita outros e que se torna praticamente impossível de ser imitado. Pode colocar prática, com constantes indagações, seu espírito visionário, que foge ao conformismo individual ou coletivo.
Sua arte mantém-se instintiva ao não repetir o que já existe, não seguindo escolas e sendo um autodidata na direção de buscar os seus próprios caminhos rumo a uma produção mais elaborada que nunca o deixe estagnar. Preserva, dentro dessa filosofia de vida, um espírito não-domesticado, que não abre mão de sua liberdade, mantendo-se fiel ao seu individualismo, não a modismos, buscando o seu centro, por mais complexo que isso de fato seja, mas com todas as possibilidades de caminhos que essa procura oferece.
Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.












