Correções

Pedras estão na natureza e são curvilíneas. As suas formas orgânicas fascinam e nos motivam a levá-las para casa como recordações de lugares por onde passamos. É o que ocorre quando é feita uma trilha ou se conhece algum lugar que pode parecer exótico ou que desperta alguma memória afetiva ou estética.

Correções, 2007- Iran do Espírito Santo – granito @irandoespirito @pinacotecasp

Este trabalho de Iran do Espírito Santo desafia esses preceitos. Pedras que estão na natureza são trazidas para o interior da galeria e cortadas de maneira a construir ângulos retos. São criados assim jardins de pedras “corrigidas” do que elas são na vida considerada real. 

Instaura-se assim um imaginário poético. Artistas têm esse poder de gerar metamorfoses e construir os próprios espaços. Erguem áreas mentais e físicas que geram questionamentos no observador. A criação se realiza e promove incômodos. Causa estranhamento observar um conjunto de blocos que não é natural.

É estabelecido assim um grupo indagador. O universo artificial de uma galeria abriga, portanto, pedras, em diversos sentidos, “fakes”. Portanto, o trabalho do criador visual traz um conceber o mundo, de certo modo, como um espetáculo, uma jornada em que realidades, construções e imaginários interagem e desafiam permanentemente.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.