Muitas moradas

Uma morada pode ser entendida como um local em que uma pessoa ou um conjunto delas habita. Nesse aspecto, uma criação visual pode ser um espaço em que a própria arte reside. Se pensarmos dessa maneira, a intepretação visual do trabalho de Ana Francisca pode nos levar a novos lugares.

O principal deles está na reflexão de como instaurar um espaço plástico é uma maneira de criar uma morada. Ela se dá pelos materiais utilizados, pelas técnicas usadas e pelo suporte escolhido. Pensar nesse tripé torna-se uma forma de mergulhar mais e melhor no próprio trabalho.

Ana Francisca – Série Moradas – 2022 – pintura sobre duas placas de acrílico sobrepostas e móveis
35 x 50 cm (extensível até 75 cm)

As metáforas das moradas podem também caminhar por questões sagradas, pois existem muitas maneiras de entender o residir. Há a possibilidade arquitetônica, mas, também a mística. As moradas das pessoas não são muitas vezes as de Deus, que tem templos onde reside.

Ainda é possível conceber o corpo como uma morada profana, matriz dos desejos, mas também sacra, como a casa do divino. Portanto, uma pintura de imagens que remete a moradas diz muito mais do que parece quando é colocada em uma perspectiva que vai além das imagens e mergulha nos conceitos que elas carregam.

Oscar D’Ambrosio
@oscardambrosioinsta
Pós-Doutor e Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, Mestre em Artes Visuais, jornalista, crítico de arte e curador.